Este drama conta a história de uma família abastada que tenta viver marcada pela morte do filho mais velho, que irá condicionar por completo as relações entre a mãe amargurada, que usa as trivialidades do dia-a-dia para fugir à sua dor, o pai bem-intencionado que se revela incapaz para resolver a situação e o irmão mais novo que tem de viver com a culpa de ter sobrevivido. Robert Redford estreou-se aqui como realizador e fez talvez o melhor trabalho da sua carreira. Uma crítica à forma como muitos nas mais altas classes sociais americanas encaram a realidade, mas acima de tudo um filme sobre perda e a forma como essa perda altera irremediávelmente a dinâmica de uma família. Vencedor de 4 Óscares da Academia, incluindo Melhor Filme e Melhor Realizador.
True Grit - Punishment comes one way or another

Uma jovem de 14 anos procura vingar a morte do seu pai ao contratar um U.S. Marshal para encontrar o assassino. A adaptação da obra de Charles Portis pelos irmãos Coen parece ser, de acordo com a crítica, mais fiel que a versão de 1969, com John Wayne como protagonista. Não é, sem dúvida, o filme que mais adorei desta dupla carismática de irmãos que parecem pensar numa sintonia perfeita em cada uma das suas criações. Desta vez, por respeito à obra, os irmãos foram forçados a colocar um freio nas suas mentes habituadas a produzir o diálogo ou a cena mais original e imprevisível (quem vir o filme The Big Lebowski jamais o esquecerá). No entanto, não deixo de considerar este um dos filmes do ano e mais uma prova da prolificidade destes realizadores. A cinematografia da autoria de Roger Deakins é talvez a maior qualidade deste filme. As paisagens áridas, dignas de um verdadeiro western, são deslumbrantes e o contraste entre o dia e a noite é executado na perfeição e com uma naturalidade que nem parece ser criada com qualquer tecnologia, mas apenas com o olho humano. Finalmente, seria injusto não mencionar a estreia surpreendente de Hailee Steinfeld, no papel de uma rapariga com uma preserverança e coragem impressionantes, e mais uma inesquecivel interpretação de Jeff Bridges, que já é, para muitos, um dos actores mais versáteis de sempre.
There is no force more powerful than the will to live

127 Horas é uma experiência emocionante, chocante e inesquecível sobre um jovem que fica preso no deserto. Mesmo quem já conhece a história ficará fascinado com a forma como Danny Boyle a contou. Desde o primeiro ao último segundo, o filme parece ter vida própria, com uma pulsação que varia com cada cena. As reminiscências de Aron interrompem esta intensidade e suscitam um particular interesse ao servirem de escape à profunda solidão que a história nos transmite. Uma das coisas mais impressionantes é a variedade de ângulos explorados num espaço de acção tão limitado. Aí o mérito vai não só para o realizador britânico como para a cinematografia de Anthony Dod Mantle e Enrique Chediak. Outro dos grandes destaques é James Franco, que tem neste filme uma interpretação que, muito provavelmente, jamais conseguirá ultrapassar a nível de entrega, realismo, expressividade e intensidade. Forma-se assim uma fantástica adaptação que prova o enorme talento de Danny Boyle em contar histórias com as quais nos identificamos.
Hotaru no haka - Grave of the Fireflies
Um adolescente e a sua irmã mais nova tentam sobreviver no Japão, durante a Segunda Guerra Mundial. Para quem tiver a sorte de ver este filme, realizado por Isao Takahata, esta premissa rapidamente se transformará numa das mais belas histórias da animação japonesa, beleza essa que é ao mesmo tempo natural e poética. Faltará talvez, para os fãs de animação, a magia ao estilo a que Hayao Miyazaki nos habituou. No entanto, há algo de profundo, assombroso e devastador na simplicidade deste conto, incapaz de nos deixar indiferentes.
25th Hour - Can you change your whole life in a day?

A história de um traficante de droga no seu último dia de liberdade, antes de cumprir 7 anos de prisão. Uma jornada emotiva passada na cidade de Nova Iorque, pouco tempo depois dos ataques do 11 de Setembro. Uma profunda e perturbadora reflexão sobre as consequências das nossas escolhas. Montgomery Brogan (Edward Norton, um dos meus actores favoritos) encontra-se encurralado, a aguardar em angústia pela hora em que irá preso, sem ter outra opção senão reprimir a culpa que sente e tentar esquecer aquilo que não consegue tirar da cabeça. O mais interessante para mim foi observar a personagem principal sem juízos de valor mas simplesmente como um ser humano que, como tanta vez nos acontece, sofre com o resultado dos seus actos. Um dos pontos mais fortes do filme é a riqueza das personagens, nomeadamente os dois melhores amigos de infância de Monty, Jacob e Frank. Repleto de cenas memoráveis, com uma realização perfeita de Spike Lee. Recomendo a todos, mas especialmente aos fãs de American History X.
The Fisher King

Um conto recheado de fantasia, passado nas ruas de Nova Iorque. Jack, um arrogante locutor de rádio, após cometer um terrível erro, tenta redimir-se anos depois ao ajudar Parry, uma das vítimas dessa fatalidade. A realização de Terry Gilliam é excepcional. Fiel ao seu estilo surreal, consegue aqui criar uma perfeita combinação de imaginação e realidade, humor e tragédia. É ainda abordada a vida dos renegados da sociedade, sem-abrigos a viveram sem destino, assombrados pelo passado e a tentarem sobreviver num mundo que procura ignorar a sua existência. Robin Williams, como um desses homens, tem neste filme talvez a melhor interpretação da sua carreira. Um papel que lhe assenta na perfeição, com aquela inconfundivel capacidade humorística a vir ao de cima numa história comovente. Jeff Bridges cumpre como sempre com uma naturalidade impressionante. O argumento é perfeito, referindo-se a temas do passado de Gilliam (o Santo Graal) e dando riqueza e variedade não só às duas personagens principais mas também a secundários como Mercedes Ruehl, Amanda Plummer e o caricato Michael Jeter. Esta é talvez a obra mais mainstream de Terry Gilliam. Não deixa, no entanto, de ser um filme inesquecível. Recomendo.
The Edukators : "your days of plenty are numbered"

Um filme inspirador e de profunda reflexão sobre dois jovens berlinenses que praticam uma forma de activismo muito peculiar. Uma farpa nos príncipios do capitalismo. Escrito e realizado por Hans Weingartner. Nomeado para a Palma de Ouro no Festival de Cannes em 2004. Recomendo especialmente a todas as pessoas ainda na sua juventude.
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